O mundo tem vivido um envelhecimento significativo da população. A longevidade favorece a harmonização do indivíduo consigo mesmo e com o mundo. Neste processo, surgem “novas formas de viver“, representadas pela maior carga de doenças crônico-degenerativas, polipatologias e incapacidades associadas a “novas formas de morrer”. A “institucionalização da morte”, a eutanásia, a distanásia e a ortotanásia são temas cada vez mais constantes no cotidiano das pessoas. Toda a evolução do conhecimento médico-científico deve ser direcionada para permitir uma “boa vida”, mas também uma boa “boa morte”. (MORAES, 2008)
A expressão morrer ativamente descreve os sinais e sintomas que consistem em frieza, alterações da cor da pele, sonolência aumentada e perda da resposta, desorientação, incontinência, diminuição da produção de urina, diminuição do desejo de líquidos e de comida, congestão e alterações da respiração. Os pacientes morrendo ativamente perdem as emoções e diminuem o contato social, afastando-se, então, fisicamente. (REICHEL, 2001)
A experiência de perda e separação começa bem antes da morte real do paciente, e o profissional de saúde pode contribuir bastante para iniciar um processo de perda efetivo. Familiares devem ser encorajados a dizer explicitamente até logo, tentar pensar nas coisas que eles querem estar certos de ter dito e tentar dizê-las. Este processo deve acontecer até mesmo se o paciente não for responsivo ou não puder falar; ela ou ele podem ouvir e podem entender o tom das palavras ou o significado de um toque ou abraço. O momento imediatamente depois da morte é um choque. Não importa o quanto este evento seja antecipado, e as famílias precisam de privacidade e tranquilidade juntos, sem intrusão de outras pessoas. O tratamento respeitoso do corpo, com atenção a normas culturais e rituais, e permitindo que os familiares participem lavando e vestindo o corpo podem contribuir para um processo saudável de luto.(DUTHIE & KATZ, 2002)
Estima-se que 72% das mortes nos Estados Unidos ocorram entre as pessoas com 65 anos de idade ou mais. Muitos estão no auge de doenças crônicas múltiplas ao longo tempo, com declínio funcional associado. Quando a morte é esperada, os membros da família podem começar o luto, especialmente quando há uma discussão aberta entre o idoso e a família. Na maior parte das vezes quando a discussão aconteceu, a iniciativa foi do idoso. As diretrizes avançadas dão ao idoso autonomia de como a morte e o morrer podem ser determinados. O profissional da saúde pode ajudar a facilitar a compreensão do idoso sobre o seu estado mórbido e as expectativas do tratamento. (DUTHIE & KATZ, 2002)
É fundamental que ocorra a participação da família, dos profissionais da saúde e colaboradores no sentido de proporcionar apoio ao idoso em iminência de morrer, tornado o contexto da morte algo menos sofrido para o indivíduo. O apoio à família é algo imprescindível para que ocorra efetivamente a humanização da morte. A morte é um acontecimento ambíguo, onde o horror e a beleza do fim de uma vida acontecem simultaneamente.
Referências Bibliográficas
Moraes, Edgar Nunes. Princípios Básicos de Geriatria e Gerontologia, Ed. COOPMED Belo Horizonte, 2008
Reichel, William. Assistência ao Idoso: Aspectos Clínicos do Envelhecimento. Ed. Guanabara Koogan, Rio de janeiro, 2001.
Duthie, Edmund H, Katz, Paul R. Geriatria Prática 3ª edição. Ed. Revinter. Rio de Janeiro, 2002.
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