segunda-feira, 25 de maio de 2009

CUIDADOS PALIATIVOS NA VELHICE

INTRODUÇÃO

O envelhecer está ligado à segregação, desolação, a perda do eu, elementos que emolduram uma fotografia negativa da velhice, um caminhar para as trevas, o fim da ilusão de sermos eternos. Essa visão trata os idosos como algo desagradável, já que a velhice em algumas sociedades está ligada a baixa produtividade do ser no contexto sociopolítico-econômico.

Na sociedade do belo, envelhecer e morrer, foi deixada a margem, são tabus se falar sobre velhice e morte, como foi tabu se falar sobre a virgindade durante algum tempo. Porém em meio a tantas trevas é possível encontrar no velho algo que nos ensine a viver, histórias de vida, sabedoria, entendimento da vida, o mestre. Os idosos serão luz e poderemos descobri-los como tal quando nos aproximamos deles e neles descobrimos desejos, bom humor e a graciosidade da velhice.

É nesse contexto que precisamos entender: Qual o processo do envelhecimento? Como cuidar do idoso? Deve se levar em consideração aspectos físico? E o que está implícito? Como fica a ética diante de toda essa discussão sobre cuidados na velhice diante da morte?

PESSINI, 2006, afirma que os humanos não são simplesmente vítimas da velhice, está não é uma experiência puramente passiva. Pelo contrário envelhecer requer autopossessão e integração como qualquer outro estágio da vida, tal como a adolescência como a adolescência, a juventude e a idade adulta.

A velhice deve ser vista como um processo natural da vida, em que cada ser humano é uma pessoa única, portanto ao se pensar em cuidados paliativos na velhice, a que se levar em consideração a individualização de cada ser humano em relação a sua interação com a vida e morte, o reconhecimento do corpo, seus valores éticos, sua visão sobre o processo de envelhecer, a relação com a dor, e a necessidade que esse indivíduo possui de cuidados especiais.

Cuidar dos idosos requer observar e utilizar alguns modelos tais como:

a) Modelo de cuidar do sofrimento - dor como alarme para algo que não está bem no funcionamento normal do corpo (dimensão física).
b) Modelo de cuidar e curar – além do cuidado com a dor e o corpo, é inevitável o idoso enfrentar a morte, a perda da esperança, trás a necessidade de redefinir o mundo que está para deixar. (Física/psíquica)
c) Cuidados paliativos - Os problemas físicos e o medo estão associados ao isolamento, a limitação de uma comunicação eficaz, levando o velho a um isolamento social. (físico-psíquica/psíquica/social)
d) Dignidade de morrer ligada a dignidade de viver (físico-psíquica/psíquica/social/espiritual) - Todos necessitam de uma razão para viver e para morrer. O cuidado dessa perspectiva holística é fundamental no propiciar cuidados humanizados.

Alguns desses modelos especificamente os dois últimos funcionam como uma possibilidade de cuidado a favor da vida, quando a tecnologia não pode fazer mais nada. A preocupação do cuidado paliativo se liga ao declínio do envelhecimento e da morte como condição do ser humano.

DESENVOLVIMENTO

Cuidados paliativos segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) é entendido como o cuidado total dos pacientes em que a doença não é passível de tratamento curativo, visando qualidade de vida para a pessoa e familiares.

Os objetivos dos cuidados paliativos são:

a) Obtenção da melhor qualidade de vida possível para o paciente e a família;
b) O controle da dor;
c) Controle de problemas psicológicos, sociais e espiritual;

Cabe ressaltar que o cuidador deve levar em consideração a dignidade da vida humana. Essa questão ética deve trabalhar com dimensões fisiológicas, biológicas relacionadas às necessidades humanas básicas de cada paciente. Mas também com um olhar para uma dimensão sociorrelacional, cósmica e ecológica.

A prática na área de saúde é desenvolvida a partir de uma visão paliativa, para cuidados com idosos. Em que se permite o cuidar de velhos doentes fora da possibilidade de cura, ser tratado com dignidade. O trabalho paliativo da medicina afirma a vida, encara o estar morrendo como um processo normal e dá a chance para a pessoa viver a própria morte.

Cuidar do idoso de forma digna fora das possibilidades terapêuticas é abrir o horizonte de cuidados aos doentes idosos, inclusive nos seus últimos dias de vida. A visão bioética é essencial pelo resgate da vida humana diante do significado do que seja envelhecer ou morrer. Já que a bioética segundo POST (1995) pode ser entendida como exame moral interdisciplinar e ético das dimensões da conduta humana, nas áreas das ciências da vida, da saúde, utilizando variedades de metodologias éticas num contexto interdisciplinar.

Por isso o cuidado paliativo deve na teoria e na prática ser visto dentro de uma escala multidisciplinar para que todas as necessidades do paciente sejam atendidas. A visão holística é fundamental no processo de reconhecer e atender as demandas que surgem na velhice e principalmente relacionadas a doenças e a morte. Segundo Neto et al (2007), em determinadas doenças, alguns indicadores são úteis para enquadra os pacientes em cuidados paliativos;

a) Doença progressiva (dependência de três ou mais atividades da vida diária – AVDS);
b) Insuficiência cardíaca (arritmias, ressucitação, embolia);
c) Doenças pulmonares (dispnéia incapacitante);
d) Demência (capacidade funcional muito baixa);
e) Doenças hepáticas ou renais (indicação de transplante).

A interação entre equipe multidisciplinar, com o objetivo de identificar as necessidades do paciente idoso deve ser a palavra chave do cuidado paliativo, para que, sejam estabelecidos rotinas e mecanismos, que ajudam a garantir recursos permanentes na atenção às necessidades básicas do ser que envelhece. Por isso o cuidador deve levar em consideração alguns aspectos tais como:
• Ressaltar a importância da presença física, do profissional da área de saúde, cuidador ou parente;
• Importância do toque/tato;
• Valorizar a escuta;
• Importância da música – audição último sentido que se perde;
• Apoio espiritual e respeito à religiosidade;
• Lembre-se você nunca vai dar o que ele quer;
• Aumentar as redes sociais.
• Ter humildade e noção do limite;
• Evitar extremos: Poetizar /banalizar/ dramatizar/ Fugir.
• Silêncio como alternativa;
• Vai sair avisa que outro profissional virá - equipe;
• Livre de dor (tanto e quanto possível);
• Continuidade de cuidado;
• Acolhimento de seus medos e desejos;
• Informações sobre seu tratamento;
• Escolha de como deve se despedir da vida

O cuidador deve alinhar e educar a rotina de cuidados apresentados ao idoso por meio do conhecimento do cliente, da doença e das condições sociais, em que esse ser está incluso. A linguagem comum deve esclarecer dúvidas individuais, que vão surgindo no decorrer da conversa. As notícias ruins de diagnóstico de doenças fatais têm que ser feito de maneira tal que não interfira na qualidade de vida.

CONCLUSÃO

O cuidar multidisciplinar permiti enfrentar os limites do corpo e o medo da morte, que não pode ser encarado como prêmio de consolação com a cura não obtida. E na velhice o cuidado não significa promover cura, mas sim bem estar, respeitar a integridade da pessoa garantindo suas necessidades básicas.

A sabedoria no cuidar está em não chegar a extremos: Eutanásia – não abreviar intencionalmente a vida e nem Distanásia - não prolongar o sofrimento e adiar a morte. A reflexão, aceitação e assimilação do cuidado humano no adeus final, devem ser permanentes.

A qualidade de vida é inexorável nesses instantes finais dentro da situação que se passa. Ao cuidar do idoso deve-se cultiva uma imagem positiva em que a fé possa apoiar a capacidade de relacionar-se com as condições de perda de alguém.

O humano precisa de tempo para tentar resolver pendências e se despedir de entes queridos. O cuidado paliativo deve proporcionar sempre que possível além do cuidado físico, o conforto espiritual e emocional na tentativa de assegurar a melhor qualidade de vida possível naquele momento.

OLIVEIRA, E.A., VOLTARELLI, J.C., SANTOS, M.A., MASTROPIETRO, A.P. Intervenção junto à família do paciente com alto risco de morte. Medicina (Ribeirão Preto) 2005; 38 (1): 63-68.

PY, Lígia e TREIN, Franklin. Finitude e Infinitude: dimensões do Tempo na Experiência do Envelhecimento. In: FREITAS, Elizabete Viana de et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. p. 1013-1020.

PESSINI, Leo. Bioética, Envelhecimento Humano e Dignidade no Adeus à Vida. In: FREITAS, Elizabete Viana de et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. p. 154-163.

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