Fonte:UMA-UFT-2008
Comentário: Felicidade e qualidade de vida dos acadêmicos da UMA-UFT.
INTRODUÇÃO
O crescente aumento da população idosa em todo mundo, comprovado por meio de numerosos estudos demográficos e epidemiológicos, apresente aos órgãos governamentais e para sociedade os desafios médicos e socioeconômicos próprios ao envelhecimento populacional.
Para Netto (2006) que se pode afirmar com segurança é que no século XX produziu-se uma verdadeira revolução de longevidade, que tende a perpetuar-se por várias décadas, tornando-se muito maior no século XXI. Ainda conclui ressaltando que a longevidade sempre foi desejo dos seres humanos desde os primórdios da civilização.
Porém este avanço demográfico não esta sendo acompanhado com profundas transformações para melhoria da qualidade de vida. Então este texto vem propor uma reflexão de como enfrentar estes desafios, com finalidade de ser menos árdua a caminhada ate a morte.
Diante disso cabe uma reflexão sobre bioética neste contexto de longevidade e qualidade de vida.
Bioética e Qualidade de Vida
Para Potter considerado “pai da bioética” (PESSINI, 2006) chamou-a como “ciência da sobrevivência humana”, mas um conceito que vamos nos apoiar é no da Declaração Universal sobre Bioética e Diretos Humanos (UNESCO, 2005) conceitua como:
Estamos convencidos de que a bioética não se ocupa somente dos problemas éticos originados do desenvolvimento cientifico e tecnológico, mas também das condições que tornam o meio ambiente humano ecologicamente equilibrado na biodiversidade natural, e de todos os problemas éticos relacionados ao cuidado da vida e da saúde. Por isto tem como pressuposto básico o conceito de saúde integral entendido na perspectiva biológica, psicológica, social e ambiental, como o desenvolvimento das capacidades humanas essenciais que viabilizem uma vida longeva, saudável e alcançável por todos os quanto seja possível.
Consideramos que este conceito vem demonstrar que a bioética é participe do processo de envelhecimento, num olhar global e ampliado do ser humano, que perpassa principalmente pela condição do ser humano em ter uma longevidade saudável em todos os seus aspectos, ou seja, com uma boa qualidade de vida.
E nesta longevidade é necessário refletir, e como a bioética sempre questiona, nesta longevidade: Será possível reduzir a morbidade e viver bem, ou a prevalência aumentada de doenças ira impedir um bom aproveitamento da vida. Qual a qualidade dessa sobrevivência. (PASCHOAL, 2006)
A pesquisa cientifica tem se debruçado nestas questões de transição demográfica e transição epidemiológica, será que os anos de vida a mais podem ser de sofrimento, angustia e desesperança, declínio funcional, perda da autonomia.
Entretanto é mister conjeturar nas palavras de Willians (1996) ninguém repete o envelhecimento do outro, dentre os vários aspectos da heterogeneidade da velhice, raça, mentes modificáveis, hábitos e estilos de vida, sexo, ambiente familiar, maneira de encarar a vida entre outros.
Neste sentido vamos apresentar o conceito de qualidade de vida que esta revisão se apoiou.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu que é a “percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores em que vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações” (THE WHOQOL GROUP, 1995). As publicações da instituição foram as primeiras a utilizarem uma clara definição do conceito qualidade de vida para guiar as pesquisas. Dessa forma os estudos em qualidade de vida adquiriram um corpo teórico embasado pelo conceito clarificado.
Para Minayo (2000) consideram que o termo qualidade de vida é mais geral e inclui uma variedade potencial maior de condições que podem afetar a percepção do indivíduo, seus sentimentos e comportamentos relacionados com o seu funcionamento diário, incluindo, mas não se limitando, à sua condição de saúde e às intervenções médicas.
Ou seja, temos os velhos saudáveis e os não saudáveis, neste contexto heterogêneo que deriva a preocupação de como manter a qualidade de vida (que é perceptiva) neste grupo, segundo Paschoal (2006) mantendo a autonomia e no máximo de independência, em todos os domínios da vida.
Existem varia proposta de diferentes pensadores, cientistas na busca de potencializar a qualidade de vida nestes anos de longevidade, como por exemplo, Nordenfelt (1994) “há uma preocupação crescente entre” os profissionais de saúde, bem como os leigos, de que o objetivo último da medicina e do cuidado da saúde não pode ser simplesmente, a cura da doença e a prevenção da morte, não podendo apenas eliminar a doença e sim o de melhorar a vida.
Mas vamos nos apoiar na perspectiva que acreditamos ser fundamental para a qualidade de vida na velhice, segundo Grimley-Evans (1992) afirma que objetivo principal da vida humana é a busca da felicidade, ressalta que saúde é valiosa á medida que promove felicidade, e longevidade é valiosa á medida que oferece oportunidades continuadas para felicidade.
Isso nos demonstra que os conceitos de qualidade de vida, as questões bioéticas neste processo de envelhecer, deve somar-se a felicidade, que ela é soberana, serve como combustível para uma vida digna e bem vivida.
Considerações Finais
Portanto como a bioética é eterna questionadora, esta reflexão não poderia de concluir sem colocar algumas questões: Quais seriam os determinantes de uma boa qualidade de vida na velhice? Que caminhos escolher para ao avaliar nossa vida, estejamos plenamente satisfeitos? De como manter-se ativo na sociedade integrando a humanidade e aos cosmos?
Então gostaríamos de encerrar esta breve reflexão sobre bioética, longevidade e qualidade de vida com um trecho da Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos (UNESCO, 2005), que culmina com esta temática: A sensibilidade moral e a reflexão ética deveriam fazer parte integral do processo de desenvolvimento cientifico e tecnológico, e a bioética deve desempenhar um papel predominante nas escolhas que precisam ser feitas com relação ás questões que emergem de tal desenvolvimento. E acrescentaríamos nesta conjuntura de desenvolvimento do envelhecer nas escolhas de um modo de vida digno e ativo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Bioética e longevidade Humana-organizadores Leocir Pessini, Christian de Paul de Borchifontaine-São Paulo: Centro Universitário são Camilo: Edições Loyola, 2006.
Minayo, MCS; Hartz, ZMA; Buss, PM. Qualidade de vida e saúde: um debate necessário. Ciência e Saúde Coletiva, 5 (1), 2000, 7-18.
Netto, Matheus Papaléo, Yuaso, Denise Rodrigues, Kitadai, Fabio Takashi - Longevidade e Qualidade de Vida. In-Bioética e longevidade Humana-organizadores Leocir Pessini, Christian de Paul de Borchifontaine-São Paulo: Centro Universitário são Camilo: Edições Loyola, 2006. p 259-87.
Paschoal, Sérgio Marcio. P-Desafios da Longevidade: qualidade de vida. In Bioética e longevidade Humana-organizadores Leocir Pessini, Christian de Paul de Borchifontaine-São Paulo: Centro Universitário são Camilo: Edições Loyola, 2006.p 329-37.
Pessini, Leo-Bioética: das origens a prospecção de alguns desafios contemporâneos. In Bioética e longevidade Humana- organizadores Leocir Pessini, Christian de Paul de Borchifontaine- São Paulo: Centro Universitário são Camilo: Edições Loyola, 2006.p 5-45.
THE WHOQOL GROUP. The World Health Organization Quality of Life assessment (WHOQOL): Position paper from the World Health Organization. Soc. Sci. Med., 41 (10), 1995, 1403-9.
Nenhum comentário:
Postar um comentário