CONSIDERAÇÕES SOBRE O EQUÍVOCO QUE ENVOLVE OS CUIDADOS PALIATIVOS
Thaís Rocha e Póvoa
Mestranda em Gerontologia pela Universidade Católica de Brasília.
Disciplina Tópicos Especiais em Gerontologia.
Brasília, 19 de junho de 2008.
A DEFINIÇÃO
Segundo a Organização Mundial de Saúde, Cuidados paliativos consistem na abordagem para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e seus familiares, no enfrentamento de doenças que oferecem risco de vida, através da prevenção e alívio do sofrimento. Isto significa a identificação precoce e o tratamento da dor e outros sintomas de ordem física, psicossocial e espiritual.
“Cuidados paliativos” acabou se tornando uma especialidade médica cujo especialista é chamado de paliativista. Assim foi criado um novo ramo da medicina que, teoricamente, consiste em proporcionar ao doente crônico, especialmente aos que estão em fase terminal e aos idosos, uma melhor qualidade de vida, de forma global.
O EQUÍVOCO
Observamos que em vários serviços médicos, a área denominada “cuidados paliativos” tem ficado restrita ao alívio da dor. A enfermaria desta nova especialidade tem se confundido com a enfermaria de tratamento de dor crônica. Entretanto, muito mais do que aliviar a dor, é preciso cuidar do paciente.
Para avaliar a intensidade da dor é recomendado o uso de uma escala. Esta deve ser escolhida de forma a usar uma linguagem acessível ao doente, possibilitando que, ao seu modo, ele possa identificar quanto a dor o incomoda naquele momento e nos momentos em que fica mais ou menos intensa. Sem dúvida, essa é uma forma de avaliação que pode contribuir para o tratamento desse paciente mas, além de não ser a dor o seu único incômodo, essa escala tenta traduzir para dados concretos (às vezes, matemáticos) um sentimento tão subjetivo quanto a dor. Assim, podemos concluir que a escala de dor é falha como único método de anamnese do paliativista não só porque deixa de considerar se o paciente está constrangido com sua roupa, se sente falta do seu animal de estimação, se está com frio, se está preocupado com a iminência da morte, mas também porque é um método pobre para dimensionar um sintoma particular, abstrato e com tantas variáveis culturais.
“Cuidar do paciente” é a grande, importante e sublime tarefa de que está encarregada a especialidade “cuidados paliativos”. Quando interpretamos a palavra “cuidado” em toda sua extensão, isso torna-se bastante claro. Segundo Leonardo Boff (2008) cuidado significa desvelo, solicitude, atenção, preocupação com o outro. Assim, humanizar o contato com o doente e não somente tentar tirar o sentimento doloroso.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Humanizar é a garantia de atender às necessidades desse paciente. Necessidades que requerem equipes multidisciplinares com médicos, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e o serviço administrativo (recepção, triagem, segurança e transporte), enfim, todos são importantes para confortar o paciente e seus cuidadores.
Tratar um paciente requer não somente as considerações biológicas e psicológicas, como também as familiares, sociais, religiosas, econômicas e aquelas que estão nas relações estabelecidas entre os sistemas envolvidos: o indivíduo, seu universo e o sistema de saúde e de tratamento.
São necessários além de analgésicos, carinho, sorriso, atenção e amparo para execução de um verdadeiro cuidado paliativo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. BIOÉTICA. Simpósio: Pacientes Terminais. Vol um nº 2, Brasília: Conselho Federal de Medicina, 1993.
2. Boff, Leonardo. Saber cuidar – Ética do humano – Compaixão pela Terra. 14 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
3. Carvalho VA. Cuidados com o cuidador. Mundo Saúde 2003; 27:138-46.
4. Faull C, Carter Y, Woof R. Handbook of Palliative Care. Blackwell Science. London 1998.
5.Instituto Nacional do Câncer. A epidemiologia do câncer: mortalidade. http://www.inca.gov.br/atlas
6.World Health Organization Cancer. http://www.who.int/cancer/en
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