Mestranda: Rossana Alfinito Kreis
INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas conferiram-se mudanças na estrutura etária e um aumento da longevidade em diferentes nações. Esse fenômeno decorre da diminuição da fecundidade e do aumento da expectativa de vida a partir dos sessenta anos de idade, sobretudo em virtude dos avanços tecnológicos na medicina (VASCONCELOS & PEREIRA, 2006).
No entanto, o envelhecimento populacional apesar de ser um fenômeno universal levanta questões éticas e morais devendo ser considerado, especialmente, no campo da bioética (SOBRAL, 2006).
LONGEVIDADE E QUALIDADE DE VIDA: ATÉ ONDE A CIÊNCIA DEVE INTERFERIR?
Os avanços científico-tecnológicos têm possibilitado um maior controle sobre a vida e o corpo do ser humano, superando, assim, limites biológicos antes insuperáveis. Desse modo, o aumento da população de idosos e da expectativa de vida decorre de importantes descobertas nas áreas que se relacionam à saúde (TRIGUEIRO, 2005).
Apesar dessas conquistas na medicina deve-se considerar que há um declínio natural das funções orgânicas, sendo constatado um declínio médio de 50% da capacidade vital dos pulmões e do fluxo sanguíneo nos rins de indivíduos com idade entre 30 e 80 anos. Além disso, é freqüente entre idosos o acometimento por doenças cardiovasculares, respiratórias, renais ou neurodegenerativas (CHAIMOWICZ, 1997; BUCHNER & WAGNER, 1992; LESOURD, 1997; GILLIES, 1999; AUCAR & MATTOX, 1998).
Diante deste quadro é fundamental reconhecer os grandes dilemas que assolam a humanidade, visto que por um lado tem-se o aumento no índice de sobrevivência entre idosos e por outro um alarmante número de idosos que sofrem patologias diversas e que vivem em um ambiente constantemente alterado e degradado pela própria ação do homem (TRIGUEIRO, 2005).
Ao referirmos ao conceito multidimensional de qualidade de vida, relacionado à auto-estima e ao bem-estar pessoal, e isto inclui capacidade funcional, nível sócio-econômico, ambiente em que se vive, dentre outros aspectos (SANTOS et al., 2002; VELARDE & AVILA, 2002; ISANG et al., 2004; BOWLING et al., 2003), nos questionamos sobre essa tal longevidade no mundo contemporâneo e entramos em uma discussão que, de sobremaneira, está intimamente associado à bioética.
Dessa forma, a bioética emerge e traz consigo a reflexão como matriz das questões que envolvem a responsabilidade em manter a ecologia generativa do planeta e as implicações oriundas do rápido avanço nas ciências em relação a potenciais modificações de uma natureza humana maleável (PESSINI, 2005).
Portanto, a bioética vem como uma alavanca para impulsionar reflexões sobre a conduta da ciência no meio ambiente e na vida dos indivíduos que nele habitam, buscando, com isso, a responsabilidade perante a vida.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Envelhecer na atualidade exige especiais esforços, visto que tornar-se um idoso saudável, vias de regra, nem sempre é possível. Assim, apesar dos grandes avanços na medicina tem-se constatado um maior número de idosos debilitados ou fragilizados por eventos patológicos ou seqüelas.
Nesse sentido, a bioética vem para resgatar o valor do idoso na sociedade e também para abordar a questão do viver com dignidade e qualidade, pois viver mais, somente, não justifica a existência do ser humano, o qual um dia foi acolhido pela natureza para oportunizá-lo na demonstração de seu papel.
Referências bibliográficas
AUCAR, J.A.; MATTOX, K.L. Trauma. In: ADKINS, R.B. Jr.; SCOTT, H.W.Jr. (editores). Surgical care for the erderly. 2. ed. Philadelphia: Raven Publishers, 1998. p. 427-436.
Bowling, A; G.Z.; Dakes, J.; Dowding, L.M.; et al. Let’s ask them: a national survey of definitions of quality of life and its enhancement among people aged 65 and over. Int J Aging Hum Dev, v. 56, n. 4, p. 269-306, 2003.
BUCHNER, D.M.; WAGNER, E.H. Preventing fraig helth. Clin. Geriatric. Med., v. 8, p. 1-17, 1992.
CHAIMOWICZ, F. A saúde dos idosos brasileiros às vésperas do século XXI: problemas, projeções e alternativas. Rev. Saúde Pública, v. 31, n.2, p. 184-200, 1997.
GILLIES, D. Elderly trauma: they are different. Aust. Crit. Care, v. 12, n. 1, p. 24-30, 1999.
Isang, E.Y.L.; Liamputtong, P.; Pierson, J. The views of order chinese people in Melbourne about their quality of life. Ageing & Society, p. 51-74, 2004.
LESOURD, B.M. Nutrition and immunity in the elderly: modification of immune responses with nutritional treatments. The American Journal of Clinical Nutrition., v. 66, n. 2, p. 478S-484S, 1997.
Pessini, L. Bioética: das origens à prospecção de alguns desafios contemporâneos. O mundo da saúde , v. 29, n. 3, 2005.
Santos, S.R.; Santos, I.B.C.; Fernandes, M.G.M.; Henriques, M.E.R.M. Elderly quality of life in the community: application of the Flanagan’s Scale. Rev Latino Am Enfermagem, v. 10, n. 6, p. 757-64, 2002.
SOBRAL, B. Bioética e longevidade humana. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol., v. 9, n. 2, 2006.
TRIGUEIRO, M.G.S. Envelhecer ou não envelhecer? Eis a questão. Cienc. Cult., v. 57, n. 1, p. 32-34, 2005.
Velarde, J.E.; Avila, F.C. Methods for quality of life assessment. Salud Pública Méx, v. 44, n. 4, p. 349-61, 2002.
Nenhum comentário:
Postar um comentário