Bacharel e licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Católica de Brasília
Mestranda do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Gerontologia da Universidade Católica de Brasília - UCB, Brasília – DF – Brasil.
E-mail: ralfkreis@yahoo.com.br
Introdução
A comunicação é a possibilidade de expressão pessoal ao outro. É partilhar experiências, saberes e sentimentos. De algum modo, transcende o Eu e capacita o viver em sociedade.
Profissionais da saúde freqüentemente atuam, por vezes, de forma sofisticada pela lógica da informação, sobre o âmbito de formar, fabricar, esboçar, desenhar, planejar, apresentar idéias e concepções, especialmente quando envolve pacientes idosos ao fim da vida (BURLÁ & PY, 2005).
Essa condição terminal que muitos idosos se encontram traz consigo a inevitável reflexão do envelhecer e do morrer, visto a aproximação da perda e do desprendimento de um corpo material, sendo a comunicação nas relações interpessoais elemento importante nessa fase.
O profissional da saúde na comunicação e no respeito ao idoso terminal
A aproximação da morte é marcada por uma comunicação peculiar diante desse momento de tensão, geralmente esboçada por sofrimento, medo ou tristeza (BURLÁ & PY, 2006).
Nesse contexto, o profissional da saúde pode vir inicialmente como um importante interlocutor e facilitador da dinamização da expressão emocional do paciente terminal e de seus familiares, o que contribui na redução do estresse frente os conflitos existenciais (BURLÁ & PY, 2006).
Outrora, a configuração do profissional como locutor pode estabelecer uma comunicação mais íntima capaz de exercer um olhar profundo em direção à sua própria finitude (BURLÁ & PY, 2004). Essa inquietude diante da morte traz, em geral, a compreensão da vida e da questão da fraternidade (PESSINI, 2005).
É pela comunicação verbal que o profissional da saúde pode informar e, além disso, expressar os seus sentimentos mais longínquos (SILVA, 2002), ressaltando-se, também, a comunicação não-verbal, exprimida, por exemplo, por expressões faciais ou posturas corporais (SILVA, 1996).
Em meio a um quadro de luto antecipatório do paciente, familiares se vêem em recordações engendradas no sofrimento da perda (BURLÁ & PY, 2005). Assim, o profissional da saúde com compromisso humanitário tem aflorado sua percepção e seus sentimentos, sobretudo em meio às más notícias, estabelecendo uma comunicação que é essencial aos familiares, os quais são estimulados a trabalharem seus sentimentos em situação de terminalidade de seu ente querido (BURLÁ & PY, 2005).
A finitude no contexto do envelhecimento evidencia a importância da prática profissional, sendo a atenção ao idoso ao fim da vida viabilizada por um tempo compartilhado em meio a um trabalho de luto a partir das relações interpessoais, incluindo profissionais, familiares e a própria pessoa idosa (PY & TREIN, 2006).
Todavia, o acolhimento do paciente ao fim da vida deve ultrapassar o âmbito hospitalar e profissional. Nesse momento de luto, se faz crucial o resgate familiar, as suas relações e os sentimentos que envolvam afeto, amor e compaixão para com aquele que esta em seu leito de morte.
Diante disso, percebemos a importância do diálogo e, especialmente, do se doar ao outro, pois quando compartilhamos ou aprendemos algo com alguém que vive o momento da aproximação da morte, reconhecemos a complexidade que envolve o ser humano, incluindo o templo, o corpo, e a questão da espiritualidade (SOMMERHALDER & GOLDSTEIN, 2006).
Portanto, a comunicação humanizada permeia a questão da aceitação da finitude, da passagem da vida para a morte e da valorização e do respeito do que um dia fora vivido e experimentado na sua intensidade.
Considerações finais
A finitude da vida continua a ser um dos grandes entraves na ótica do homem. Assim, a aceitação da morte é algo ainda amedrontador.
É comum idosos terminais e seus familiares encontrarem-se emocionalmente debilitados, sendo o desenvolvimento da comunicação por profissionais humanitários elemento imprescindível para que o processo de ruptura da vida seja menos doloroso.
Essa comunicação além de favorecer o paciente e seus familiares contribui para a expansão da sensibilidade do próprio profissional, o qual reconhece, além das limitações e das fragilidades da vida alheia, as fragilidades e limitações de sua própria vida (BURLÁ & PY, 2004; BURLÁ & PY, 2005).
Enfim, a comunicação humanizada direcionada ao paciente terminal e aos seus envolvidos é a prova que ainda há o amor ao próximo e ao que lhe é inerente.
Referências bibliográficas
BURLÁ, C.; PY, L. “Humanizando o final da vida em pacientes idosos: manejo clínico e terminalidade”. In: PESSINI, L.; BERTACHINI, L. (orgs.) Humanização e cuidados paliativos. São Paulo: Loyola, 2004, pp. 125-134.
BURLÁ, C.; PY, L. Peculiaridades da comunicação ao fim da vida de pacientes idosos. Bioética, v. 13, n. 2, 2005.
BURLÁ, C.; PY, L. Comunicação ao fim da vida. Revista Prática Hospitalar, v. 8, n. 43, p. 110-113, 2006.
PESSINI, L. Bioética: das origens à prospecção de alguns desafios contemporâneos. O mundo da saúde, ano 29, v. 29, n. 3, 2005.
PY, L; TREIN, F. “Finitude e infinitude: dimensões do tempo na experiência do envelhecimento”. In: FREITAS, E.V.; PY, L., A.L.; CANÇADO, F.A.X.; DOLL, L. & GORZONI, M.L. (orgs.). Tratado de geriatria e gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006, 2ª ed.; pp. 1353-1360.
SILVA, M.J.P. Comunicação tem remédio: a comunicação nas relações interpessoais em saúde. São Paulo: Gente, 1996.
SILVA, M.J.P. O papel da comunicação na humanização da atenção à saúde. Bioética, v. 10, n. 2, 2002.
SOMMERHALDER, C.; GOLDSTEIN, L.L.“O papel da espiritualidade e da religiosidade na vida adulta e na velhice”. In: In: FREITAS, E.V.; PY, L., A.L.; CANÇADO, F.A.X.; DOLL, L. & GORZONI, M.L. (orgs.). Tratado de geriatria e gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006, 2ª ed.; pp. 1307-1314.
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