Universidade Católica de Brasília
Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa
Programa de Pós-Graduação Mestrado em Gerontologia
Disciplina: Tópicos Especiais sobre a Velhice (TEV)
Professor: Dr. Vicente Paulo Alves
Mestranda: ALDA ABRAHÃO FAIAD GÓES
Brasília-DF, 01 DE ABRIL DE 2008.
Cuidados ao fim da vida: humanização na prática de profissionais da saúde na Medicina Geriátrica
Não é uma questão de morrer cedo ou tarde, mas de morrer bem ou mal. Morrer bem significa escapar vivo do risco de morrer doente. (Sêneca, 4 aC)
Introdução
Em pleno século XX, estamos diante de um novo paradigma civilizatório com o qual ainda não aprendemos a lidar. Parece desafiar o gênero humano. Lidar com esse novo desafio é uma aposta de ordem intelectual, política e, sobretudo Ética, cujo fracasso pode trazer conseqüências nefastas para o conjunto da humanidade. A humanização da morte não é o seu apressamento, nem o seu prolongamento indefinido. Tal discussão decorre, portanto, da forma que este paciente é cuidado no momento em que antecede a extinção de sua vida.
Dados divulgados pelo Sistema de Internações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS) e o Sistema de Informações de Mortalidade, ambos disponibilizados pelo Ministério da Saúde, mostram que: 13.383 óbitos por causas externas ocorridos no Brasil no ano de 2000 no qual o coeficiente de mortalidade encontrado para os indivíduos com 60 anos ou mais é 92,1/100.000, sendo 135,3/100.000 para o sexo masculino e 56,8/100.000 para o feminino. Os acidentes de transporte lideram a mortalidade por causas externas, tendo os atropelamentos uma proporção relevante. Para Vasconcelos
(1998) outras causas relatadas foram: violência contra o idoso, quedas, traumatismos intoxicações, suicídios, afogamentos, homicídios, dentre outros. Portanto, sendo a violência contra o idoso outra causa que pode o levar a óbito, ressalta-se a questão da humanização do cuidado com esta categoria de pacientes. Com o aumento do envelhecimento populacional, principalmente em países como o Brasil, a discussão acerca do preparo dos sistemas de saúde para acolher a demanda de pacientes idosos tem se tornado freqüente. Os pacientes mais velhos utilizam os serviços hospitalares de maneira mais intensiva que os demais grupos etários, envolvendo maiores custos, implicando no tratamento de duração mais prolongada e de recuperação mais lenta e complicada. Santos(2007).
A humanização do cuidado com o paciente idoso
Com a ausência de cuidado, desde o nascimento até a morte, o ser humano desestrutura-se, definha, perde sentido e morre. Se, ao largo da vida, não fizer com cuidado tudo que empreender, acabará por prejudicar a si mesmo e por destruir o que estiver a sua volta. Por isso o cuidado deve ser entendido na linha da essência humana (que responde à pergunta: o que é o ser humano?).
Doméstica de 57, que trabalhava há dois anos na casa da idosa de 93 anos no Recife, a agride, batendo no rosto e dando empurrões.
Notícia no Yahoo, que se assiste freqüentemente nos noticiários do Brasil.
“O cuidador é um ser humano de qualidades especiais, expressas pelo forte traço de amor à humanidade, de solidariedade e de doação. (...) Seus préstimos têm sempre um cunho de ajuda e apoio humanos, com relações afetivas e compromissos positivos.” O verdadeiro compromisso é a solidariedade, e não a solidariedade com os que negam o compromisso solidário, mas com aqueles que, na situação concreta, se encontram convertidos em “coisas”.
Esta é a razão pela qual o verdadeiro compromisso, que é sempre solidário, não pode reduzir-se jamais a gestos de falsa generosidade, nem tampouco ser um ato unilateral. Isto seria anular a essência do compromisso, que, sendo encontro dinâmico de homens solidários, ao alcançar aqueles com os quais alguém se compromete, envolvendo a todos num único gesto amoroso.
Pois bem, se nos interessa analisar o compromisso do profissional com a sociedade, teremos que reconhecer que ele, antes de ser profissional, é homem. Deve ser comprometido por si mesmo. Se de seu compromisso como homem, como já vimos, não pode fugir, fora deste compromisso verdadeiro com o mundo e com os homens, que é solidariedade com eles para a incessante procura da humanização, seu compromisso como profissional, além de tudo isto, é uma dívida que assumiu ao fazer-se profissional.
“Impedido de comprometer-se verdadeiramente” significa, a situação na qual a maioria encontra-se manipulada por minorias, através de ordens. Esta grande maioria tem a impressão de que se compromete, quando, na verdade, é induzida em seu “compromisso”. Escolhe entre as opções (no melhor dos casos) que a minoria lhe indica, quase sempre manhosamente, pela propaganda. JR(2007).
Morte:
A tecnologia consegue hoje nos manter vivos, forçando-nos, inclusive, a mudar nossos antigos conceitos de morte, que desde tempos imemoriais eram definidos apenas pela parada da respiração e dos batimentos cardíacos. Graças a ela, cerca de 50% das mortes súbitas são revertidas pela ressuscitação cardiopulmonar e mais de 100 mil vidas são salvas por ano com esse método.
A humanização da morte significa apressamento, nem prolongamento indefinido. Se a discussão que se propõe é sobre o que seja morte com dignidade, o movimento de cuidados paliativos defende que seja a morte sem sofrimento, nem rápida, nem demorada demais.
Em alguns países, existe a possibilidade de se escrever um testamento, ainda em vida, feito de próprio punho, quando ainda se está saudável, ou no início do processo de adoecimento, com referências ao desejo de não ser mantido vivo sob certas circunstâncias. O problema é saber se o testamento, feito quando a pessoa estava saudável, ainda se mantém válido quando adoece. Todos esses aspectos tornam-se ainda mais complexos quando envolvem uma pessoa inconsciente ou em coma. KOVÁCS (2003).
Para a medicina atual, o indivíduo é considerado morto quando ocorre a morte de todo o encéfalo.
Existe uma corrente ponderável na medicina que acha dispensável o diagnóstico da morte encefálica, ou seja, basta ter certeza da morte cerebral para ser considerado morto. Do ponto de vista legal, a morte representa o fim da pessoa, como conseqüência, seu cadáver não é pessoa, passa a ser coisa. Porém, não se aplicam ao cadáver as normas civis e penais de direito das coisas.
Em congresso internacional realizado em Cuba, em fins de fevereiro último, países e suas delegações de médicos, neurocirurgiões, fisiologistas, teólogos e filósofos se reuniram por três vezes a fim de redefinir os modernos conceitos de coma e da morte do cérebro. Concluíram que a morte é um acontecimento que toca a toda a sociedade, do ponto de vista sociológico, médico, político e religioso, não sendo monopólio de nenhuma dessas áreas, pois esbarra no sagrado. JR(2007).
A morte, assim como o nascimento, é um efeito secundário da vida. Ela é o risco que corremos por estarmos vivos e ela ocorre ao mesmo tempo em que acontece a morte do cérebro chamada "morte humanística", em que alguns sinais vitais são mantidos por drogas e respiradores.
Conclusão
Ao se debater a questão da morte, resta-se questionar o tratamento oferecido ao paciente geriátrico e qual o compromisso do profissional com a sociedade na qual está incerida este paciente moribundo. Algumas reflexões são necessárias para o esclarecimento do tema que envolve, não somente, o paciente em questão, mas um entendimento médico-famiiar sobre o processo de morrer.
Antes a decisão do paciente ficar com sua família estava apenas nas mãos dos médicos: a chamada distanásia: morte medicalizada; a ortotanásia: a morte no seu tempo normal(controle de sintomas que trazem angústia). Burlá(2007). Ainda para a autora é difícil generalizar situações. O que há por detrás dos pedidos? Normalmente é devido ao grande sofrimento por parte do paciente.
Em alguns países, existe a possibilidade de se escrever um testamento, ainda em vida, feito de próprio punho, quando ainda se está saudável, ou no início do processo de adoecimento, com referências ao desejo de não ser mantido vivo sob certas circunstâncias. KOVÁCS (2003).
A expressão “o compromisso do profissional” nos apresenta o conceito da relação daquele que atua e gera expectativas para com o paciente geriatrico, seja definido pela sensibilidade no tratar esta questão com espírito humanitário.
Vasconcelos AMN. A mortalidade da população idosa no Brasil. Como Vai? População Brasileira. Brasília-DF, IPEA [periodico on line] 1998 [acesso em 1999 Nov 11], 3(3):24- 33. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br>. Acesso dia 01/05/08.
http://www.saude.gov.br/> Visualizado dia 01/05/2008.
Santos ,CMG ; Hargreaves LHH. Idosos e Pronto - Socorro: Por que os idosos procuram a Emergência?Faculdade de Medicina UCB / Departamento Médico Câmara dos Deputados. ANAIS da II Jornada de Gerontologia e Geriatria do Distrito Federal 2007.
KOVÁCS, Maria Julia. Bioética nas questões da vida e da morte. Psicologia USP [on line] v.14 n.2 São Paulo, 2003. Disponível em: http://www.scielo.br
JR. Raul Marin. Neurocirurgia da Divisão de Clínica Neurocirúrgica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.2007.
www.espirito.org.br/portal/publicacoes/esp-ciencia/004/doacao-de-orgaos.html
BURLÁ, Cláudia em palestra na II Jornada de Gerontologia e Geriatria do Distrito Federal 2007. Centro de Referência e Documentação sobre Envelhecimento, da Universidade Aberta da Terceira Idade - UnATI, Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ.
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