Introdução
A educação é um tema que, nas últimas décadas, tem ganhado ênfase no campo da gerontologia. E deve estar voltada para o processo de envelhecimento no contexto social, cultural, econômico e político no qual o idoso está inserido. Para Cachioni e Néri (2004) a educação gerontológica se ocupa da educação de idosos e da formação de profissionais para esse fim. Abrangendo a percepção de toda sociedade sobre e para o envelhecimento. Além disso, parte da premissa que todo indivíduo tem a capacidade de aprender e de assimilar este aprendizado em prol de uma melhor qualidade de vida. De acordo com Sobral (2001) a educação gerontológica deve estar destinada para o conhecimento do idoso acerca de si mesmo e do estar no mundo, buscando sempre um redirecionamento de seus caminhos. É nesta perspectiva que o Programa Saúde da Família apresenta-se como um espaço privilegiado de realização destas práticas, já que, desde sua criação, prioriza a educação em prol da promoção da saúde de toda população, inclusive dos idosos.
Educação: Instrumento de emancipação do Idoso na visão do Programa Saúde da Família
O Programa Saúde da Família surgiu no Brasil em 1994, como estratégia de reorganização do modelo assistencial à saúde, a partir da atenção básica. De modo que a assistência não estaria mais centrada na doença, mas na promoção da saúde. Tradicionalmente, as políticas públicas de saúde no Brasil têm privilegiado os grupos sociais mais favorecidos em detrimentos dos grupos mais pobres, como na maioria das políticas sociais. A implantação e implementação do Programa Saúde da Família visa mudar esta característica histórica, promovendo a eqüidade e o acesso da população mais excluída aos serviços públicos de saúde. Diminuindo as desigualdades no acesso e qualidade dos serviços públicos.
A estratégia de Saúde da Família tem suas origens nos ideais de promoção da saúde, advogados a partir da primeira conferência mundial de promoção da saúde ocorrida em Ottawa, em 1986, até os dias de hoje. Para os conferencistas, a promoção da saúde seria a capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo. De modo que, a educação é um instrumento de trabalho imprescindível para a promoção da saúde, pois pode orientar e estimular a prática de hábitos de vida saudáveis. Neste sentido, o Programa se revela como um espaço propício à educação para a saúde de toda comunidade, incluindo aí os idosos. Já que todo idoso tem o direito de aprender a cuidar de sua própria saúde e de sua existência no mundo, num olhar voltado para si mesmo.
Para Sobral (2001), na Universidade Aberta ao Idoso (UnATI), para que se atinja este processo de conhecimento do idoso sobre si mesmo e sua relação com o mundo a sua volta é necessário abordar temas referentes à terceira idade, como enfrentamento da velhice, sua relação com a família e comunidade, afastamento do trabalho e aposentadoria, o abuso e a negligência contra idosos, a cura e o auto-cuidado. O que pode ser colocado em prática, também, dentro da estrutura de trabalho do Programa Saúde da Família, considerando toda a ideologia de atuação desta estratégia e o fato de estar focada na comunidade e na família. O que está de acordo com Semler et.al. (2004), que em seu projeto “Escola sem sala de aula”, quebram a geografia educacional, estimulando os indivíduos a lidar com as demandas contemporâneas e pessoais dentro do próprio ambiente de vivências. “O aprendizado surge a partir de reflexões da vida cotidiana e dentro da própria comunidade”. ( Semler e et.al., pg 9, 2004).
Nas práticas de atenção do Programa, é possível perceber que os idosos compõem um dos grupos etários que mais demandam assistência, ora para controle de doenças crônicas e prevenção de complicações, ora para reabilitação. Moldando todo o planejamento das ações da equipe de saúde, que deve incorporar atividades específicas para este grupo. Uma dessas atividades é a educação em saúde.
Na educação em saúde, o idoso é valorizado enquanto ser ativo, protagonista de sua própria existência, logo é ele o principal ator na melhora de sua saúde e condições de vida. Visando a promoção da saúde, o idoso é orientado e sensibilizado para a importância da manutenção de hábitos de vida saudáveis, através do auto-cuidado. Sendo o plano terapêutico embasado na responsabilização da equipe de saúde e co-responsabilização do idoso, buscando para este a sua emancipação.
Durante as terapias comunitárias no Programa Saúde da Família, as experiências de vida do idoso são vistas como recurso terapêutico. Dando real importância à percepção do idoso acerca do seu estar no mundo enquanto cidadão de direitos e de potencialidades e de suas relações com as pessoas a sua volta, como familiares e comunidade.
Considerações Finais
O idoso tem o direito de ser educado, dentro de suas limitações e potencialidades, acerca das várias questões que abragem o tema da terceira idade, e esta educação gerontológica enquanto atividade de emancipação da pessoa idosa pode e deve ser desenvolvida em todo ambiente de cuidado, seja na universidade, nas instituições de saúde ou na própria comunidade. De modo que o Programa Saúde da Família destaca-se como um espaço propício para esta prática, pois prioriza a educação como mecanismo de promoção da saúde e acolhe o idoso enquanto agente de transformação.
Ao considerar o idoso um indivíduo ativo, a educação no Programa Saúde da Família trabalha na pessoa idosa o conceito de protagonismo, sendo ela própria capaz de melhorar, dentro de suas limitações, suas condições de vida. Portanto, o estímulo ao autocuidado é uma estratégia constante de educação em saúde, já que o idoso pode e deve manter preservada, ao máximo, a capacidade de aprender e cuidar de si próprio.
Logo, ao idoso deve ser garantido o direito de educação, levando-se em consideração suas necessidades, perspectivas, estórias, e vivências, umas vez que a capacidade de aprendizagem não acaba com a idade, mas encontra no idoso uma rica fonte de conhecimento da vida e para a vida.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Cachioni, Meire. Néri, Anita Liberalesso. Educação e gerontologia: desafios e oportunidades.In: Revista Brasileira de Ciências do Envelhecimento Humano, Passo Fundo, 99-115 - jan./jun. 2004. Disponível em http://www.upf.br
Ministério da saúde. Guia prático do Programa Saúde da Família. Brasília. Ministério da Saúde. 2001
________. Fundação Osvaldo Cruz. Saúde da Família: avaliação da implementação em dez grandes centros urbanos. 2 ed. Brasília. Ministério da Saúde. 2005.
Semler, Ricardo. Dimenstein, Gilberto. Costa, Antônio Carlos Gomes da. Escola sem sala de aula. São Paulo. Papirus, 140 pg. 2004
Sobral, Benigno. O trabalho educativo na terceira idade: uma incursão teórico-metodológica. In: Textos sobre envelhecimento. v.3 n.5. Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: http://www.unati.uerj.br/tse/scielo
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