Bacharel e licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Católica de Brasília
Mestranda do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Gerontologia da Universidade Católica de Brasília - UCB, Brasília – DF – Brasil.
E-mail: ralfkreis@yahoo.com.br
O processo de envelhecimento populacional é fenômeno mundialmente conhecido. Estima-se que a população de idosos brasileiros seja marcada por, aproximadamente, 15 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade, o que equivale a 8,6% de toda a população do país. Outro fato a salientar é o grau de urbanização que vem sendo apresentado nesse grupo etário, observando-se uma queda da proporção de idosos residentes nas áreas rurais de 23,3%, no período de 1991, para 18,6%, no ano de 2000 (IBGE, 2002).
Não muito obstante, observa-se a priorização da educação destinada a jovens e crianças, com o intuito de promover a formação do cidadão e seu preparo para o mercado de trabalho. Desse modo, a educação para a pessoa idosa encontra-se muitas das vezes postergada, mesmo diante da crescente expectativa de vida (RODRIGUES Jr., 2006).
A partir desse quadro, fazem-se necessárias novas condutas educacionais, capazes de viabilizar o processo de ensino-aprendizagem entre a população idosa em geral, fomentando a valorização, o incentivo e a qualidade de vida no senescente.
Alterações no envelhecer e a prática educativa
Ao compreendermos o envelhecimento e suas transformações, reconhecemos necessidades específicas entre a população idosa, o que capacita desenvolver propostas educacionais efetivas que almejem a melhoria das condições de vida desse grupo seleto (RODRIGUES Jr., 2006).
Desse modo, os idosos podem apresentar alterações cognitivas que afetam a capacidade de transformação, organização, seleção, retenção e interpretação de certas informações (RYBASH apud FIALHO, 2001). Ressalta-se, também, o declínio da atenção seletiva e da atenção dividida no indivíduo idoso. A primeira refere-se à habilidade em distinguir informações importantes ou pertinentes. Já a segunda destaca a capacidade em processar duas ou mais informações em um mesmo momento ou instante (NUNES, 1999).
Destaca-se, ainda, que a maioria dos idosos enfrenta dificuldades ante organizações e interpretações da informação ocasionadas por um declínio na capacidade em reconhecer objetos possivelmente fragmentados ou mesmo incompleta (RYBASH, 1995).
Já a memória pode sofrer alterações com o avançar da idade e, conseqüentemente, ter o processamento da informação afetado. Atkinson e Shiffrin (1968) destacam três sistemas de armazenamento, sensorial, memória de curto termo (MCT) e memória de longo termo (MLT), os quais são comparados pelos autores com a memória de um computador. Assim, a memória sensorial apresenta capacidade limitada de armazenamento, em um breve período de tempo. Já a MCT processa uma maior quantidade de informações em um período mais longo. Por último, a MLT mostra-se com uma capacidade superior de armazenamento e, conseqüentemente, mais eficiente em organizar toda a informação guardada. Dessa maneira, vê-se que, com o envelhecimento, há uma menor capacidade de retenção de informações na memória de curto termo, sendo acentuado, inclusive, após os 55 anos de idade (FIALHO, 2001).
Vale destacar os múltiplos problemas de saúde que geralmente acometem os idosos. A exemplo disso, está o aumento médio de condições crônicas associadas à osteoartrite, dispnéia ao esforço e redução da acuidade visual (HORAN, 1993).
Diante do exposto, há o reconhecimento de potenciais limitações do próprio processo de envelhecimento para a prática educativa, sendo empecilhos para o processo de ensino-aprendizagem, mas não invencíveis para que se tenha a educação em plenitude.
A educação à distância no processo de aprendizagem do idoso
Apesar do receio e do medo pelo desconhecido, a população idosa tem participado cada vez mais do espaço público, o que tem gerado maior necessidade de novas estratégias de sociabilidade. Nesse contexto, a Universidade vem como importante instrumento que, em conjunto com as novas tecnologias de informação e comunicação, capacita reinserir significativamente o idoso na sociedade em que vive (RODRIGUES Jr., 2006).
Em adição, Kreis e colaboradores (2007) salientam o início da democratização do acesso à educação, sendo, portanto, a educação à distância importante instrumento de autonomia e incentivo no processo ensino-aprendizagem entre idosos.
Nesse sentido, a aprendizagem a partir da educação à distância pode ser amplamente benéfica ao público senescente, seja por meio da possibilidade de adequação ao ritmo de cada um, pelas oportunidades de socialização advindas da interação, ou mesmo pela manutenção da atividade cognitiva (RODRIGUES Jr., 2006).
Sobretudo, a educação à distância pode ser desenvolvida pela aprendizagem virtual, a qual pode ser uma importante ferramenta no crescimento da auto-estima e na apropriação de uma nova habilidade tecnológica (LITTO, 1996). Somado a isto, pode se ter educação continuada, estimulação mental e o bem estar para o indivíduo idoso (KING, 1997).
Kachar (s.d.) acrescenta que a tecnologia amplia o acesso à informação, a qualidade de veiculação e a recepção em diferentes níveis de mídia. A facilidade e a rapidez que esse recurso proporciona às informações relativiza a questão do tempo e do espaço, bem como interfere nas relações e nos comportamentos de seus usuários.
A maior acessibilidade à informação mostra que o indivíduo idoso tem ampliado seu universo de oportunidades e conscientização e, com isso, o sedentarismo, a acomodação, a fadiga, a tristeza, a indisposição, o isolamento e a depressão têm sido deixados de lado, ressignificando sua existência por meio da aprendizagem, por sua inserção na sociedade como cidadão detentor de direitos e garantias legais e, inclusive, no próprio processo de envelhecimento e de velhice, garantindo-lhes melhor saúde e bem-estar, assim como melhor qualidade de vida (GÁSPARI & SCHWARTZ, 2005).
Conclusão
Com o processo de globalização novas propostas educativas têm surgido. Desse modo, a educação à distância tem sido bastante enfatizada em nossos dias, sendo um recurso voltado não somente para jovens e crianças, mas também aos idosos. Portanto, por meio dela novas oportunidades têm nascido contra o sedentarismo, a depressão e outros males que, habitualmente, encontram-se em nosso meio, a salientar entre os idosos.
Deve-se ressaltar que a educação à distância, pelo desenvolvimento da aprendizagem virtual, tem recebido destaque em todo esse processo, especialmente com o elevado grau de urbanização da população idosa, possibilitando a apropriação de nova habilidade tecnológica e auto-estima e, consequentemente, possibilitando a reinserção da pessoa idosa na sociedade.
Referências bibliográficas
ATKINSON, R. C. e SHIFFRIN, R. M. Human memory: A proposed system and its control processes. SPENCE, K. W. e SPENCE, J. T. (eds). The psychology of learning and motivation: advances in research and theory. Nova York, Academic Press, 1968.
BRASIL, Perfil dos Idosos Responsáveis pelos Domicílios. Brasília, DF 25 de julho. Disponível em:
FIALHO, F. A. P. Ciências da cognição. Florianópolis, Insular, 2001.
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HORAN, M.A. Presentation of disease in old age. In: BROCKLEHURST, J.C.; TALLIS, R.C.; FILLIT, H.M. Textbook of geriatric medicine and gerontology. 4. ed. Edinburgh: Churchill Livingstone, 1993. p. 145-149.
KACHAR, V. (s/d). A inclusão digital da população idosa. Telecentros para todas. Disponível em: http://www.telecentros.org/telecentros/secao=102&idioma=br¶metro=10148.html
Acesso em 07 de jun. 2007.
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KREIS, R.A.; ALVES, V.P.; CÁRDENAS, C.J.; et al. O impacto da informática na vida do idoso. Revista Kairós, v. 10, n. 2, pp. 153-168, 2007.
LITTO, F. Repensando a educação em função de mudanças sociais e tecnológicas recentes. Informática em Psicopedagogia. São Paulo, Senac., 1996.
NUNES, R.C. Metodologia para o ensino de informática para a terceira idade: aplicação no CEFET/SC. Dissertação de mestrado em Engenharia de Produção. Florianópolis, Universidade Federal de Santa Catarina, 1999.
RODRIGUES JR., JCB. O Idoso e as Possibilidades da Educação a Distância. Revista Partes, ano V, 2006. Disponível em: http://www.partes.com.br/terceiraidade/idosoeducacao.asp. Acesso em: 01 de abr. 2008.
RYBASH, J. M. Adult development and aging. Nova York, Brown & Benchmark Publishers, 1995.
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