O RESPEITO PELO CORPO DO IDOSO
ALGUNS ASPECTOS RELEVANTES SOBRE A SEXUALIDADE DOS IDOSOS
Thaís Rocha e Póvoa
Mestranda em Gerontologia pela Universidade Católica de Brasília.
Disciplina Tópicos Especiais em Gerontologia.
Brasília, 16 de abril de 2008.
INTRODUÇÃO:
Discutir sobre o respeito pelo corpo do idoso não se limita apenas a questões relacionadas ao turgor de sua pele, às suas limitações locomotoras e as implicações na política de transporte público, às lesões físicas que podem ocorrer por maus tratos, aos comportamentos inadequados de profissionais de saúde que tantas vezes examinam o corpo do idoso o expondo demais e induzindo nesse idoso sensação imensa de vergonha e também não se limita às questões relacionadas ao corpo sem vida. Ao contrário disso, tratarei neste texto sobre uma questão ligada ao corpo do idoso, à sua saúde física e mental e à sua energia vital – Sexualidade.
A sexualidade na velhice é um tema pouco discutido na medicina e na sociedade em geral. Vários fatores que envolvem esse tema são ainda considerados tabus e, em alguns casos, até proibidos de serem comentados. (Seinke, 1997)
As pessoas, de uma maneira geral, associam sexualidade estritamente ao intercurso sexual e, dessa forma, os idosos, por vários motivos, especialmente biológicos, negligenciam sua sexualidade na medida em que desconsideram o carinho, o toque, o gostar de si mesmo e de um outro como manifestações de sexualidade.
Em função de uma pressão sócio-cultural, muitos idosos experimentam um sentimento de culpa ou de vergonha quando mantém desejo sexual. É considerado feio e imoral, por grande parte da população, o fato de um idoso manifestar sua sexualidade ainda que discretamente. (Limentani, 1995)
Observamos com freqüência, em programas de humor na televisão, quadros em que os idosos são caricaturados como “velhos safados” e andam com moças bem mais jovens e de aspecto vulgar.
Tudo isso nos remete ao fato do quão complicado é o assunto – Sexualidade do idoso. Assunto cheio de nuances, onde se encontram aspectos biológicos tanto femininos quanto masculinos, aspectos sociais, aspectos psíquicos e culturais. E, por isso, um assunto tão rico e que deve ser estudado de forma mais intensa, não só para que possamos entender a dinâmica de uma faceta humana mas também para tentarmos contribuir com a sociedade, especialmente com a parcela idosa desta.
DESENVOLVIMENTO:
A expectativa de vida nos paises desenvolvidos vem subindo progressivamente e, com isso, também aumenta a preocupação da sociedade em conviver com essa faixa etária mais alta. As pessoas começam a se preocupar em proporcionar aos idosos produtos de consumo específicos que atendam às suas necessidades, talvez nem tanto para proporcioná-los bem-estar, mas porque esses idosos constituem uma parcela importante da população de consumo.
Observamos também que os idosos estão mais atentos àquilo que lhes proporcionará maior qualidade de vida e, dessa forma, estão mais voltados para a sexualidade. Questionam mais, buscam atendimento médico mais frequentemente e começam a induzir uma revolução na forma como a população pensa a sexualidade e a senilidade. Mas isso tudo ainda está muito no começo e ainda tem muito o que progredir.
Existem inúmeras causas para a redução da atividade sexual no idoso. Dentre elas podemos citar:
Redução do interesse sexual pelo companheiro após muitos anos de convivência, às vezes conturbada.
Saúde física ou mental geral prejudicada:
1. Doenças Vasculares - são as que mais freqüentemente estão associadas com impotência. O mecanismo básico de ereção é vascular: dilatação arterial e constrição venosa. Arteriosclerose, hipertensão, diabete, fragilidade venosa no pênis contribuem para o surgimento de disfunção erétil.
2. Doenças neurológicas - são as que interferem com a transmissão ao pênis dos estímulos químicos necessários para que ocorra a ereção, lesões nos nervos provocadas por cirurgia pélvica radical, por neurites de diversas etiologias sendo a mais freqüente a que ocorre no Diabético.
3. Doenças Hormonais - a deficiente produção pelo testículo de Testosterona ou os baixos níveis de hormônio tireoideano bem como a alta produção de prolactina que ocorre nos tumores hipofisiários estão relacionadas com a diminuição do desempenho. 4. Medicamentos e Drogas - o uso de drogas, álcool em excesso, cigarros causam danos ao sistema circulatórios com conseqüentes danos a qualidade da ereção. Alguns medicamentos como os antihipertensívos, os medicamentos utilizados para tratamento de ulceras do aparelho digestivo, digitais, tranqüilizantes, diuréticos e outros interferem por vezes drasticamente com o mecanismo de ereção.
·Problemas no aparelho genital feminino como:
1. • Secrecao Vaginal - a velocidade da lubrificação e a qualidade produzida diminuem em nítido grau.
2. • A vagina perde a capacidade de expansão do comprimento e da largura transcervical.
3. • Os lábios menores perdem deposito do tecido adiposo, a proporção que os níveis hormonais diminuem, altera-se também a capacidade elástica destes tecidos.
4. • Os ovários diminuem progressivamente de tamanho.
5. • O útero regride ao seu tamanho pré-pubere.
6. • O endométrio e a mucosa do colo uterino se atrofiam.
7. • O revestimento da parede vaginal se torna muito fina e atrófica.
8. • A atividade secretória das glandulas de Bartholin é reduzida e a carência endócrina tem influência sobre a capacidade e o desempenho sexual.
. Problemas no aparelho genital masculino como:
1. •O entumescimento do pénis é retardado, a ereção pode tornar-se flácida.
2. • A elevação testicular e a engurgitação são mínimas.
3. • É necessario mais tempo para alcançar o orgasmo, que é de menor duração.
4. • Diminuição do número de ereções notumas e involutárias.
5. • Prolongamento do período refratário.
6. • Retardamento da ejaculação.
7. • Redução do liquido pré-ejaculatório.
Outros fatores que interferem na sexualidade do idoso:
Efeitos colaterais de medicamentos usados com freqüência em idosos.
Perda da privacidade, como por exemplo, viver na casa dos filhos.
Viuvez
Fatores psicossociais como: segmentos da nossa sociedade consideram a atividade sexual do idoso imoral ou bizarra o que faz com que os idosos sintam-se culpados por manifestarem qualquer forma de desejo sexual, o progressivo aumento do período entre as ereções e a dispareunia (dor vaginal durante a penetração) provocam nos idosos ansiedade que torna difícil o transcorrer de uma relação sexual. Como a freqüência de coitos tende a diminuir e, como muitas pessoas associa sexualidade apenas a coito, alguns idosos optam progressivamente pela abstinência. Além disso, como sexualidade está, culturalmente e religiosamente ligada a reprodução, surge uma idéia no imaginário do idoso de que sexualidade nesse momento de sua vida representa algo sujo ou pecaminoso.
A homossexualidade nos idosos é ainda menos aceita pela sociedade do que na idade jovem.
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
A sexualidade faz parte da vida dos seres humanos e está presente em todas as fases do desenvolvimento do homem. Vai desde o nascimento até a morte, ou seja, a função sexual continua por toda a vida mesmo na terceira idade.
Muitos se esquecem de que a atividade sexual é função uma fisiológica, como é a digestão ou a respiração, ou confundem sexualidade com o ato sexual, deixando de observar a sexualidade integral do individuo: suas manifestações de carinho e afeto, companheirismo e temura (MOREIRA, 1980).
Master e Johnson estudaram em laboratório o comportamento sexual voluntário dos
idosos, comprovando que, apesar de reduzir a atividade sexual com o passar do tempo, o
individuo é capaz de manter o interesse pelo sexo até idade bem avançada.
Tanto os homens quanto as mulheres idosas mais sexualmente ativas, eram pessoas que tinham tido uma vida sexual mais intensa na juventude (Kaiser, 1996). A sexualidade é uma parte importante da existência humana em qualquer etapa da vida e é fundamental que profissionais de saúde estejam aptos para interrogar e encaminhar efetivamente casos em que a atividade sexual, incluindo o desejo, o carinho e a proximidade afetiva do parceiro estejam comprometidos por quaisquer motivos.
Respeitar o corpo do idoso não se refere apenas a observar suas limitações motoras ou visuais e, a partir disso, ajudá-lo a atravessar a rua. Respeitar o corpo do idoso significa também respeitar sua individualidade, o momento em que ele precisa de privacidade para cuidar de si, encorajá-lo a vestir-se de uma forma em que se sinta belo, deixar que ele perceba que um abraço ou um toque não é um desrespeito, uma invasão ou um pecado mas uma demonstração de afeto.
Com relação aos profissionais de saúde, cuidar do corpo do idoso para que ele possa, se quiser, ter qualquer forma de manifestação de sexualidade é respeitar o seu corpo e, para todo ser humano, ter o entendimento de que mesmo sendo um idoso seu corpo não deixou de ser seu e, portanto, não pode ser feito nele, aquilo que um ou outro desejam em detrimento de sua vontade é respeitar o corpo do idoso.
Cabe aos cuidadores, familiares ou amigos, orientar esse idoso para que sua integridade seja preservada, mas é preciso ter muito cuidado para que essa orientação não se transforme em invasão ou censura, especialmente no que se refere à sexualidade.
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
1. Steinke EE. Sexuality im Aging: Implications for Nursing Facility Staff. The Journal of Continuing Education in Nursing 1997; 28: 59-63.
2. Cruz AJ, Mercé J. A Função Sexual. En: Ribera JM, Cruz AJ. Geriatría. Madrid: Idepsa; 1992.
3. Limentani A. Creativity ande the Thirde Age. International Journal of Psychoanalysis 1995; 76: 825-833.
4. Schiavi RC, Rehmam J. Sexuality ande Aging. Impotence 1995; 22: 711-725.
5. Kaiser FE. Sexuality in the Elderly. Geriatric Urology 1996; 23: 99-107.
6. Delo M. Et al. Sexual Feelings and Sexual Life in an Italian Sample of 335 Elderly 65 to 106 year olds. Archives of Gerontoly and Geriatrics 1998; Suppl 6: 155-162.
7. Cruz AJ. Fisiopatología do Envejecimento. En: Serna I. Psicogeriatría. Madrid: Jarpyo Editores; 1996.
8. Serna I. Transformaciones Físicas e Psíquicas no Anciano. En: Serna I. Psicogeriatría. Madrid: Jarpyo Editores; 1996.
9. Gerson López - Sexualidade Humana - 2ª Ed. – Capítulo 03 - A Sexualidade e a Terceira Idade
10. CANÇADO, F. A. Xavier – Noções Práticas de Geriatria – Belo Horizonte, Coopmed:Healt CR Ltda., 1994;
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