MESTRADO EM GERONTOLOGIA
DISCIPLINA: BIOÉTICA
Prof. Dr. Vicente Paulo Alves
MESTRANDA: ALDA ABRAHÃO FAIAD GÓES
Domingo, 27 de abril de 2008
O respeito pelo corpo do idoso
Em três décadas, a população com mais de 65 anos triplicou no Brasil, e a expectativa é de que em 25 anos ela alcance 32 milhões de pessoas. Mas o país não está preparado para lidar com os idosos.
Em reportagem para o Correio Brasiliense, em 2005, o geriatra Renato Maia fala sobre o envelhecimento como um processo contínuo, a culpa é do corpo humano, que tem os órgãos prontos para envelhecer a partir dos 25 anos, em média. Após os 30 anos, o organismo perde 1% de sua capacidade a cada ano. Todos caminham para o momento no qual a rotina perde a velocidade e o corpo fica mais frágil, sensível aos limites físicos.
O Corpo
Somos um corpo vivo, construído no seio de uma cultura na dinâmica de um processo de transformação sucessiva. O corpo humano nos domínios da objetividade das ciências naturais, diz Neri(2005), é matéria adaptada numa organização exclusiva e determinada, constituindo a individualidade de cada ser.
Cada pessoa, segundo a autora, representa a matéria humana, singular e indivisível, viverá o corpo, desde os primórdios de sua vida, até o último de seus dias. Nos domínios da subjetividade, trata-se do corpo de um sujeito, que se apresenta que fala de si, que se representa na sua história até a velhice.
Entrevistado pela repórter do Correio, Débora de Moraes, 48 anos, fala de seu planejamento para uma velhice saudável: “O que eu puder fazer para ficar bem e chegar na terceira idade bonita e independente, eu vou fazer. Estou me cuidando para chegar aos 80 anos, por exemplo, com saúde e bem estar”.
Toda a discussão que envolve longevidade contemporânea tem estimulado cada vez mais os pesquisadores a identificar melhor as etapas de um envelhecimento.
A Finitude
A consciência da finitude é atributo e privilégio dos seres humanos. Qualquer outro animal, aprisionado numa programação biológica determinante de um mundo em que tem de viver, desconhece que vai morrer. Ao examinar esta etapa, Neri(2005),questiona quem é esse homem afligido pela sua finitude? Não será o homem que vive a maturidade na inquietação mais contundente diante do que, agora, inapelavelmente, se lhe apresenta como questão? A questão colocada como crise: ”Morte e crise da meia-idade”. Crise que pode trazer angústia e depressão, inerente a esta etapa de vida pela aproximação da velhice e da morte.
A idéia da morte, pela consciência da finitude, consagra a maturidade como momento propício para fazer à humanidade a proposta de uma significação diferenciada. Como exemplo, recorremos a fala de Ana Neri,57 anos abordada pelo Correio Brasiliense, revela: “Como estudante de educação física sempre me preocupei em fazer jus a profissão e mostrar um corpo legal. Sabia que a idade ia chegar e que eu nunca mais ia poder ter um corpo de antes. Aos 40 anos que caiu a ficha. Resolvi fazer exame de rotina e descobri que era hipertensa e tinha colesterol alto. Como fazia sempre atividade física antes, levei um susto. Voltei a fazer atividade física, eliminei carne da minha dieta e comecei a fazer musculação já pensando na terceira idade. Aliás, está aí algo que encaro bem: o envelhecimento. Eu quero viver até 100 anos se eu puder. Com saúde.”
Como se vê a maturidade é o período de buscar de forma positiva a superação de limites e alcançar novos significados, novas produções que irão, por fim, imortalizar-nos por nossa presença viva após a morte, no legado que deixamos.
Preservação da ética, respeito e da dignidade do corpo, após a morte
“A morte não assusta, pois sabemos que faz parte da vida. No entanto, tememos a dependência, a perda da dignidade, a solidão, e o sofrimento que, sabemos, pode anteceder a morte”. Para a organizadora do livro Idosos no Brasil, Anita Liberalesso, essas não são apenas frases de efeito, mas temores reais, expressos por cerca de 80% dos entrevistados ouvidos pela pesquisa realizada e divulgada pelo Correio Brasiliense em 30 de outubro de 2005.
No passado a filosofia foi considerada o aprendizado da morte. Sócrates foi respeitado como modelo do “saber morrer”. A filosofia tinha a função de preparar o indivíduo para uma “boa morte”. Supunha-se que aquele que sabe morrer aprendeu a viver, e assim a vida e a morte se iluminavam reciprocamente.
A questão da bioética é debatida, por profissionais e estudiosos de várias áreas de conhecimento humano: médicos, biólogos, psicólogos, juristas, moralistas, religiosos e filósofos.
A Bioética é parte da ética, ramo da filosofia, que enfoca as questões referentes à vida e a saúde. Este estudo também se estende a compreensão da morte, principalmente nos dias atuais que se questiona: transplantes de órgãos e abastecimento de cadáveres para estudo de anatomia em universidades. Jr.(2001).
O autor afirma que morrer é uma coisa natural e todos os dias são uma preparação para ela; morrer é como voltar para casa; não é o fim, apenas o começo, pois a morte é uma continuação da vida e o céu é o nosso lar. A dificuldade da definição tradicional da morte é que ela, como outras definições tradicionais, é recorrente. Morremos quando cessa nossa vida e deixamos de viver quando morremos. Na medida em que vamos morrendo, nossos diversos órgãos vão parando de funcionar, e na medida em que os órgãos vão parando de funcionar, morremos.
Na finitude do ser humano, há um grande questionamento sobre o comportamento das pessoas: antes, durante e depois do contato com o cadáver nas aulas de anatomia humana. Devem-se buscar reflexões sobre a preservação do respeito e da dignidade ao corpo do indivíduo, após a morte, à luz da bioética e da filosofia. Ruiz&Pessini(2006).
Referencias
Correio Brasiliense, domingo, 06 de janeiro de 2008. Página 20/21. Brasília DF.
Anita Liberalesso Neri (org). Maturidade e Velhice: Trajetórias individuais e socioculturais pag.37. Campinas, SP: Papirus,2001.
JUNIOR, Raul Marino. O Milagre dos transplantes Divisão Clínica Neurocirúrgica do Hospital das Cínicas da Faculdade de Medicina da USP. Folha de São Paulo, 15/05/2001 – Tendências/Debates. 2001. SP.
RUIZ, Cristiane Regina & PESSINi, Leo. Lições de Anatomia:vida, morte e dignidade. O Mundo da Saúde. São Paulo, ano 30;030 (3) 425- 433. Jul/set. 2006. Disponível em http://www.scamilo.edu.br
domingo, 27 de abril de 2008
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