Por: Andrea Moraes Ribeiro
INTRODUÇÃO
Para muitos autores o cuidado é algo inerente ao homem, pois para que o indivíduo se constitua como tal é necessário que receba cuidado desde o seu nascimento. No entanto, os grandes avanços tecnológicos e outras transformações de ordem mundial têm favorecido a perda do conceito de cuidado enquanto alívio de sofrimento humano e postura relacional com os outros e com o mundo em que vivemos. Diante disto, os cuidados paliativos surgem como uma proposta arrojada de resgate do cuidado humanizado, pela integração dos cuidados físicos, psicológicos e espirituais. E a enfermagem como uma das profissões que mais cuidam diretamente da pessoa enferma, destaca-se como um vasto campo de aplicação dos cuidados paliativos.
A Crise no Cuidado Humano e a Proposta dos Cuidados Paliativos
O cuidado humano é contemporâneo ao surgimento do próprio homem, já que este depende de cuidados para existir e se desenvolver. “Se não receber cuidado, desde o nascimento até a morte, o ser desestrutura-se, definha, perde sentido e morre” (BOFF, 2001, p.34). Neste sentido, o cuidar é mais que uma atividade ou tarefa realizada com o intuito de tratar uma ferida, aliviar um desconforto e auxiliar na cura de uma doença, é uma forma de expressão, de relacionar-se com o outro e com o mundo. É por este cuidado que preservamos e protegemos a vida, as relações interpessoais, o ambiente em que vivemos e o planeta.
INTRODUÇÃO
Para muitos autores o cuidado é algo inerente ao homem, pois para que o indivíduo se constitua como tal é necessário que receba cuidado desde o seu nascimento. No entanto, os grandes avanços tecnológicos e outras transformações de ordem mundial têm favorecido a perda do conceito de cuidado enquanto alívio de sofrimento humano e postura relacional com os outros e com o mundo em que vivemos. Diante disto, os cuidados paliativos surgem como uma proposta arrojada de resgate do cuidado humanizado, pela integração dos cuidados físicos, psicológicos e espirituais. E a enfermagem como uma das profissões que mais cuidam diretamente da pessoa enferma, destaca-se como um vasto campo de aplicação dos cuidados paliativos.
A Crise no Cuidado Humano e a Proposta dos Cuidados Paliativos
O cuidado humano é contemporâneo ao surgimento do próprio homem, já que este depende de cuidados para existir e se desenvolver. “Se não receber cuidado, desde o nascimento até a morte, o ser desestrutura-se, definha, perde sentido e morre” (BOFF, 2001, p.34). Neste sentido, o cuidar é mais que uma atividade ou tarefa realizada com o intuito de tratar uma ferida, aliviar um desconforto e auxiliar na cura de uma doença, é uma forma de expressão, de relacionar-se com o outro e com o mundo. É por este cuidado que preservamos e protegemos a vida, as relações interpessoais, o ambiente em que vivemos e o planeta.
No entanto, atualmente o homem passa por uma profunda crise de humanismo. As grandes transformações (sócio-política-econômica e cultural) que vem ocorrendo no mundo nos últimos tempos fizeram com que o cuidado humano perdesse a sua essência, o seu real significado. Os cuidados, principalmente no ambiente hospitalar, deixaram de visar o alívio do sofrimento humano para perseguir insistentemente a cura da enfermidade, não priorizando o que deveria ser o centro das atenções, a pessoa humana. Pessini e Bertachini (2004) apontam que os efeitos da tecnociência são notórios e constantemente proclamados pela mídia, contudo, a pessoa vulnerabilizada pela doença é instrumentalizada num ambiente tecnicamente perfeito, mas sem alma e ternura humana.
Diante deste quadro, os cuidados paliativos são propostos como forma de humanizar a assistência àqueles que não mais respondem às medidas terapêuticas tradicionais, tendo por finalidade integrar o aspecto físico, psíquico, social e espiritual da pessoa cuidada, apresentando como principais metas o controle afetivo de sintomas e a manutenção da qualidade de vida, (MELO, 2004). A Organização Mundial de Saúde define cuidados paliativos como:
“O cuidado ativo total dos pacientes cuja doença não responde mais ao tratamento curativo. O controle da dor e de outros sintomas, o cuidado dos problemas de ordem psicológica, social e espiritual, é o que mais importa. O objetivo do cuidado paliativo é conseguir a melhor qualidade de vida possível para os pacientes e sua família.” (OMS, 1990)
Trata-se, portanto de uma abordagem diferenciada cujo foco é o cuidado holístico, onde o curar não é mais o objetivo, mas a experiência da pessoa e de sua família de viver uma condição incurável e mesmo o processo de morrer.
Segundo Mccoughlan (2004) os cuidados paliativos modernos, também conhecidos como cuidados de hospice, têm seu início histórico na Idade Média, na Europa. Os hospices eram lugares onde religiosos cuidavam de andarinos, peregrinos e necessitados que estivessem morrendo. A concepção atual de cuidados paliativos como cuidados especializados teve sua origem na Inglaterra, já nos anos 1950, quando Dame Cecily Saunders – médica paliativista – escreveu a filosofia dos cuidados paliativos. Por esta filosofia, o dever dos profissionais enquanto cuidadores pressupõe a utilização de todas as suas habilidades no cuidado das pessoas, no sentido de aliviar o seu sofrimento, assisti-la no aprimoramento de sua qualidade de vida no viver antes que no morrer, como um dever cristão:
“A filosofia do hospice inspira-se nos ensinamentos de Jesus e, diante da realidade sempre mais tecnologizada dos cuidados de saúde, cultiva um reconhecimento crescente da futilidade e indignação da continuação de tratamento médicos caros e invasivos para os pacientes que estão claramente morrendo nos hospitais”. (MCCOUGHLAN, p.169, 2004)
Considerando, então, que o foco dos cuidados paliativos é o alívio das necessidades biopsicossociais e espirituais, a compreensão das crenças, valores e necessidades especiais individuais, eles podem corresponder a uma nova forma de expressão do cuidado humano. E como tal, permite uma atuação multiprofissional, já que o dom do cuidado humanizado é uma necessidade de todos os profissionais envolvidos com o processo de cuidar.
A Enfermagem e o Cuidado
A enfermagem, como a profissão que lida mais diretamente com a pessoa enferma, talvez seja a mais envolvida com o cuidado humano. São os profissionais de enfermagem que têm a oportunidade de cuidar das necessidades humanas básicas, proporcionando o conforto e o alívio da dor através de medidas simples como o banho, a administração de medicamentos ou o simples toque.
Desde sua origem, a enfermagem esteve intimamente ligada ao cuidar. Para Waldow (1998) o nascimento da enfermagem confunde-se com o próprio surgimento do cuidar, já que a sua essência tem raízes no cuidado humano. Para esta pesquisadora a principal finalidade do cuidar na enfermagem é aliviar o sofrimento humano, manter a dignidade e facilitar meios para manejar com as crises e com as experiências do viver e do morrer. Nestas condições, os profissionais de enfermagem podem se destacar como atores privilegiados na humanização do cuidar pelos cuidados paliativos.
Apesar da tecnificação das práticas profissionais nos dias atuais, a enfermagem deve tomar uma atitude crítica e reflexiva, respondendo a crescente demanda de humanização da assistência à pessoa humana:
“A alta tecnicidade de alguns centros hospitalares é necessária e segura. O sorriso da enfermeira, entretanto, e sua delicadeza são outros fatores de humanização. Sobrecarregadas, cançadas, absorvidas pela técnica ou pela administração, amiúde carecem do tempo ou da força para o sorriso”. (LEPARGNEUR, p.58, 2004)
Para este pesquisador, a humanização do hospital não pode dispensar a humanidade da enfermagem, pois dela depende sumamente a qualidade das relações entre pacientes e pessoal hospitalar.
Considerações Finais
Apesar de vivermos numa era de desvalorização do cuidar como forma de expressão no mundo e de estar-com-o-outro, percebe-se um crescente movimento de resgate do cuidado humano através dos cuidados paliativos, e a enfermagem como profissão que está mais próxima do paciente deve repensar suas práticas, considerando estes cuidados como uma nova forma de humanizar a assistência. E esta humanização implica em reconhecer o outro como um ser complexo, dotado de características e necessidades próprias, e também, compreender o significado do cuidar para além das medidas terapêuticas, mas como um mecanismo de alcance do alívio e bem-estar do outro.
Referências Bibliográficas
BOFF, Leonardo. Saber cuidar: Ética do Humano-Compaixão pela terra. 7. ed. Petrópolis, Editora Vozes, 2001, 199 p.
LEPARGNEUR, Hubert. Procurando fundamentação para a humanização hospitalar. In: PESSINI, Leo & BERTACHINI, Luciana (orgs.). Humanização e cuidados paliativos. Ed. Edições Loyola, São Paulo, 2004, p. 51-70.
MACCOUGHLAN, Marie. A necessidade de cuidados paliativos. In: PESSINI, Leo & BERTACHINI, Luciana (orgs.). Humanização e cuidados paliativos. Ed. Edições Loyola, São Paulo, 2004, p.167-180.
MELO, Ana Geórgia Cavalcante de. Os cuidados paliativos no Brasil. In: PESSINI, Leo & BERTACHINI, Luciana (orgs.). Humanização e cuidados paliativos. Ed. Edições Loyola, São Paulo, 2004, p.291-319.
PESSINI, Leo & BERTACHINI, Luciana (orgs.). Introdução. Humanização e cuidados paliativos. Ed. Edições Loyola, São Paulo, 2004, 319 p.
PESSINI, Leo. Humanização da dor e do sofrimento humanos na área da saúde. In: PESSINI, Leo & BERTACHINI, Luciana (orgs.). Humanização e cuidados paliativos. Ed. Edições Loyola, São Paulo, 2004, p.11-30.
WALDOW, Vera Regina. Cuidado Humano: O resgate necessário. Porto Alegre. Ed. Sagra Luzzato, 1998, 199 p.
Apesar da tecnificação das práticas profissionais nos dias atuais, a enfermagem deve tomar uma atitude crítica e reflexiva, respondendo a crescente demanda de humanização da assistência à pessoa humana:
“A alta tecnicidade de alguns centros hospitalares é necessária e segura. O sorriso da enfermeira, entretanto, e sua delicadeza são outros fatores de humanização. Sobrecarregadas, cançadas, absorvidas pela técnica ou pela administração, amiúde carecem do tempo ou da força para o sorriso”. (LEPARGNEUR, p.58, 2004)
Para este pesquisador, a humanização do hospital não pode dispensar a humanidade da enfermagem, pois dela depende sumamente a qualidade das relações entre pacientes e pessoal hospitalar.
Considerações Finais
Apesar de vivermos numa era de desvalorização do cuidar como forma de expressão no mundo e de estar-com-o-outro, percebe-se um crescente movimento de resgate do cuidado humano através dos cuidados paliativos, e a enfermagem como profissão que está mais próxima do paciente deve repensar suas práticas, considerando estes cuidados como uma nova forma de humanizar a assistência. E esta humanização implica em reconhecer o outro como um ser complexo, dotado de características e necessidades próprias, e também, compreender o significado do cuidar para além das medidas terapêuticas, mas como um mecanismo de alcance do alívio e bem-estar do outro.
Referências Bibliográficas
BOFF, Leonardo. Saber cuidar: Ética do Humano-Compaixão pela terra. 7. ed. Petrópolis, Editora Vozes, 2001, 199 p.
LEPARGNEUR, Hubert. Procurando fundamentação para a humanização hospitalar. In: PESSINI, Leo & BERTACHINI, Luciana (orgs.). Humanização e cuidados paliativos. Ed. Edições Loyola, São Paulo, 2004, p. 51-70.
MACCOUGHLAN, Marie. A necessidade de cuidados paliativos. In: PESSINI, Leo & BERTACHINI, Luciana (orgs.). Humanização e cuidados paliativos. Ed. Edições Loyola, São Paulo, 2004, p.167-180.
MELO, Ana Geórgia Cavalcante de. Os cuidados paliativos no Brasil. In: PESSINI, Leo & BERTACHINI, Luciana (orgs.). Humanização e cuidados paliativos. Ed. Edições Loyola, São Paulo, 2004, p.291-319.
PESSINI, Leo & BERTACHINI, Luciana (orgs.). Introdução. Humanização e cuidados paliativos. Ed. Edições Loyola, São Paulo, 2004, 319 p.
PESSINI, Leo. Humanização da dor e do sofrimento humanos na área da saúde. In: PESSINI, Leo & BERTACHINI, Luciana (orgs.). Humanização e cuidados paliativos. Ed. Edições Loyola, São Paulo, 2004, p.11-30.
WALDOW, Vera Regina. Cuidado Humano: O resgate necessário. Porto Alegre. Ed. Sagra Luzzato, 1998, 199 p.
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