domingo, 15 de junho de 2008

Enfermagem gerontológica: aspectos éticos do cuidado ao idoso

Rossana Alfinito Kreis
Bacharela e licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Católica de Brasília
Mestranda do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Gerontologia da Universidade Católica de Brasília - UCB, Brasília – DF – Brasil.
E-mail: ralfkreis@yahoo.com.br

Introdução

Tem-se constatado em muitos países, sobretudo países desenvolvidos ou em desenvolvimento, alterações na estrutura etária, possibilitada pela diminuição da fecundidade e pelo aumento da expectativa de vida a partir dos sessenta anos de idade (VASCONCELOS & PEREIRA, 2006).

Como resultado disso, tem-se uma demanda crescente por serviços de saúde, com os idosos sofrendo internações hospitalares freqüentes e maior tempo de ocupação do leito por serem acometidos por doenças crônicas e múltiplas (LIMA-COSTA & VERAS, 2003).

Tais enfermidades podem ser acentuadas no indivíduo idoso, por estarem propensos a risco nutricional ocasionado pela senescência, declínios das funções fisiológicas como redução na absorção e no metabolismo dos nutrientes, bem como a outros fatores sejam sociais, psicológicos ou econômicos (MCCLAIN et al., 2002).

O presente artigo apresenta a importância da enfermagem gerontológica no cuidado ao idoso, bem como questões bioéticas que permeiam esse atendimento mais humanizado.

A enfermagem e o cuidado ao idoso

O envelhecimento é caracterizado como processo inevitável marcado por mudanças nos órgãos e sistemas do organismo e que leva a uma diminuição da reserva fisiológica (SOUZA et al., 2002).

Compreender a velhice, em toda a sua complexidade, e reconhecê-la como emergente é fundamental para que se tomem às devidas medidas, capazes de assegurar recursos que proporcionem saúde aos senescentes, sejam referentes a serviços médico-hospitalares ou ao uso de medicamentos (RIBEIRO et al., 2005).

Em virtude disso, a saúde pública vem como elemento de especial responsabilidade, devendo assegurar meios e situações que ampliem a qualidade de vida por meio da autonomia e bem-estar aos idosos que, por sua vez, viabiliza o próprio processo de escolha daquele organismo (BUSS, 2000).

Sobretudo o profissional que atende a população idosa vem como importante classe de trabalhadores, os quais, de sobremaneira, devem rever conceitos e conscientizar-se quanto às alterações cabíveis ao próprio processo de envelhecimento, de forma a desenvolver atividades que promovam a independência e a autonomia (GANDOLPHO & FERRARI, 2006).

Nesse contexto, a enfermagem gerontológica vem como elemento fundamental para a promoção da saúde e da qualidade de vida do idoso diante das necessidades biopsíquicas, socioculturais e até mesmo espirituais do idoso, possibilitando o autocuidado, a autodeterminação e a independência. O enfermeiro gerontólogo assiste, assim, o paciente idoso e também sua família. Concomitantemente, esse profissional atua na conscientização da comunidade, de forma a inserir o envelhecimento como um importante processo do ciclo da vida (GANDOLPHO & FERRARI, 2006).

Diante disso é salientar a apresentação da importância dos cuidados da saúde, medicina, pesquisa e relação profissional-paciente, os quais estão intimamente relacionados às questões morais. O cuidado, dessa maneira, engloba não apenas aspectos técnicos, mas também aspectos humanistas, de forma a harmonizar a cientificidade com aspectos emocionais e afetivos, sobretudo quando há o reconhecimento da vulnerabilidade humana (GANDOLPHO & FERRARI, 2006; PESSINI, 2005).

A vulnerabilidade da vida e sua intensificação na velhice tornam, enfim, os aspectos éticos e legais fundamentais no que tange as questões do cuidado ao idoso (GANDOLPHO & FERRARI, 2006). Repensar o cuidado prestado aos idosos e os aspectos que englobam a adequada capacitação de seus cuidadores são imprescindíveis diante da nefasta humilhação e sofrimento que nossos idosos vivenciam diariamente nas grandes metrópoles brasileiras e que são apresentados, incessantemente, nos noticiários do país.

Sendo assim, o cuidado da enfermagem gerontológica é extremamente importante, pois a partir do conhecimento específico das necessidades da população idosa se tem um atendimento mais humanizado e digno.

Considerações finais

É evidente o crescimento de velhos no país e no mundo. Desse modo, indivíduos senescentes apresentam necessidades aumentadas por recursos capazes de proporcionar a saúde. Salienta-se, então, a importância da enfermagem gerontológica nos cuidados dos idosos.

Assim, a vulnerabilidade na velhice vem para legitimar aspectos éticos e legais e, assim, introduzir um cuidado mais humanizado que propicie qualidade de vida e autonomia aos idosos.

Portanto, o enfermeiro que atende e cuida do idoso deve colocar em prática não somente suas técnicas apreendidas, mas um cuidar mais emotivo e afetivo, ou seja, mais humano.

Referências Bibliográficas

BUSS, P.M. Promoção da saúde e qualidade de vida. Ciência & Saúde Coletiva, v. 5, n. 1, p.163-177, 2000.

GANDOLPHO, M.A.; FERRARI, M.A.C. A enfermagem cuidando do idoso: reflexões bioéticas. O Mundo da Saúde, ano 30, v. 30, n. 3, p. 398-408, 2006.

LIMA-COSTA, M.F.; VERAS, R. Saúde pública e envelhecimento. Cad. Saúde Pública; v. 19, n. 3, p.700-701, 2003.

MCCLAIN, C.J.; MCCLAIN, M.; BARVE, S.; BOOSALIS, M.G. Trace metals and the elderly. Clin Geriatr Med; v. 8, n. 4, p. 801-818, 2002.

PESSINI, L. Bioética: das origens à prospecção de alguns desafios contemporâneos. O mundo da saúde, ano 29, v. 29, n. 3, 2005.

RIBEIRO, A.Q.; ARAÚJO, C.M.C.; ACURCIO, F.A.; MAGALHÃES, S.M.S.; CHAIMOWICZ, F. Quality assessment of drug use in the elderly: a review of available evaluation methods. Ciência & Saúde Coletiva; v. 10, n. 4, p. 1037-1045, 2005.

SOUZA, J.A.G. (In memorian); IGLESIAS, A.C.R.G. Trauma no idoso. Rev. Assoc. Med. Bras., v. 48, n. 1, p. 79-86, 2002.

VASCONCELOS, A.M.N.; PEREIRA, M.G. Envelhecimento da população brasileira. In: GOMES, L.; PEREIRA, M.G. (Org.). Envelhecimento e saúde. Brasília: Universa, 2006. p. 9-18.

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